Aviso ao navegantes

•26/10/2009 • 2 Comentários

cena cruel

•15/09/2009 • 1 Comentário

55

entre estranhos

•14/09/2009 • Deixe um comentário

“Meu amigo, gosto dessa ‘estranheza’, dessa desconstrução do olhar burguês que é o olhar dominador sobre o Outro. Quando vejo você em cena, compreendo o quanto você se esquiva, ou foge desse olhar burocratizado.

Mas Alcebíades, penso que ao tentar escapar a essa determinação temos que construir um olhar também de dominação desse poder estabelecido. Assim, ao marcarmos no palco novos espaços-tempos em que nós nos tornamos centro e não mais periferia em torno do poder, teríamos que de uma certa maneira dar forma ao caos criado por nossa expressividade.

A impressão que tive, e foi imediata, preciso ver seu espetáculo mais vezes, é que nós, amantes da ‘arte anarcaótica’, não nos utilizamos das  formas de expressão burguesas na construção de novos espaços, e que nos aprisionamos a ‘anarquia pela anarquia ou a liberdade pela liberdade’. As vezes essa estética também se torna uma camisa de força.

Veja, não quero que isso seja verdade, porque não sou da Verdade, sou das sombras, sou da caverna antes de ascender a luz, Verdade para mim só existe no mundo platônico, e, como você bem sabe, nós (alguns atores) lutamos contra essa essencialidade, essa incondicionalidade do mundo das idéias criado por Platão que terminou dando num certo teatro de merda que venho assistindo ultimamente na baixada. Veja, Alcebíades, neguinho está usando o nosso espaço sagrado e embriagado do nosso deus Dioniso pra falar dessa merda de espiritismo. Teatro virou Zibia Gasparetto, pôrra! A nossa luta é a luta de Artaud, lutamos contra a esquizofrenia cultural que quer a todo o momento nos suicidar. Você Alcebíades está nos mostrando um caminho com o seu espetáculo, tanto quanto o pessoal do Camille Claudel.

Um beijo.”

Petruccio Araujo

I MOSTRA DE TEATRO DOS METALÚRGICOS/SANTOS

•19/08/2009 • 1 Comentário

9

.

3

mapa, astral, cultural

•29/07/2009 • Deixe um comentário

ALCEalcebíades filho (ator-diretor) e pedro richalski (secretário de cultura). foto: sem crédito.

crueldade da (c)alma

•06/07/2009 • 2 Comentários

jéssica(jéssica souza, como demônio, na via sacra, limeira, sp, 2008. foto: lucas borges.)

“senhores, venham até mim, venham até mim, venham (…) venham, eu os arrastarei por uma vida bem selvagem através de uma rasa e vã mediocridade, que é o que vocês merecem.”

(goethe)

artauDOReGOZO

•18/06/2009 • 2 Comentários

osultimosdiasdemim

asas para o que restou…

•28/05/2009 • Deixe um comentário

asas

(Vavá Ribeiro. Foto: sem crédito)

 

“asas para o que restou
pé na escada, no elevador
pra ficar tudo leve
num tempo breve
de todo estresse
do que me fere, que me repele

asas para o que restou
pé na escada no elevador
que o vento me eleve
de ultra-leve, de delta, ou leque , de mobilete, pro fundo do
cometa,
pro fundo nau cometa”

(trecho da música nau cometa de vavá ribeiro)

alcebíades filho, de quem, mesmo?

•14/05/2009 • Deixe um comentário

Imag028 

(alcebíades filho,de quem, mesmo? foto: alcebíades filho, de quem, mesmo?)

 

“filho da terra quente
vazão do que se sente
palavras enlouquentes
destemido é serpente
faz parte de nossa gente”

 

(bertoégua/coruja)

torto

•14/05/2009 • Deixe um comentário

cropped-alce2

“poeira no olho
orgão trocado
se for assumido
chamo de amigo
se mentir
chamo viado
não deixando
de ser perdido
nem mesmo amigo
cumpre o respeito
falar palavrão
pra tudo dá nome
covarde é cuzão
se for brilhante
perco a rima
mas chamo torto”

(bira sound)

ATORto

•05/05/2009 • Deixe um comentário

artor

(alcebíades filho. foto: alcebíades filho)

não represento

não minto

vida que invento

eu sinto

por que, torquato

•27/04/2009 • 1 Comentário

torquato

(torquato neto, como nosferato. foto: ivan cardoso)

 

por que, torquato, por que fizeste isso consigo, comigo, putresco? sei que tinhas pressa demais, mas, por que, seu fresco,  abriste o gás?

histórinha: após comemorar seu 28 º aniversário (09/11/1972), torquato tranca-se no banheiro e abre o gás.

em cartaz

•14/04/2009 • 1 Comentário

arte-domi

(arte: dominique montassier)

fantasmas

•13/04/2009 • 1 Comentário

fantasmas

(alcebíades filho, carlão, coruja (de vermelho), feio e chico (ao fundo). foto: leida)

 

http://fantasmascinzentos.wordpress.com/

sangue e matisse

•05/04/2009 • Deixe um comentário

sangueematisse

(dina alves e luciano costta, em entre estranhos, textos: de alex moreira carvalho, direção: alcebíades filho. foto: sem crédito)

TORquaTO

•29/03/2009 • 1 Comentário

alcito1

(alcebíades filho. foto: daniel sintonia)

torto, posto que louco por tudo que é inexato, torquato.

minha droga

•28/03/2009 • Deixe um comentário

 teatro21 hoje, dia 27 de março, comemora-se o dia mundial do teatro e, eu, tal o poeta john wilmot, o libertino, poderia dizer –  até  por que é verdade! -: “quero ser tocado. o que não sinto na vida, quero que outros sintam por mim no teatro.”

 

e/ou

 

 “o teatro é minha droga e minha doença está tão avançada que meu tratamento dever ser da mais alta qualidade.”

alcim, assado

•27/03/2009 • 2 Comentários

alce1

(alcebíades filho. foto: luciano costta)

 

 

Alcim al al al ao cim cim sim…
Ouvinte dilacerado
Demasiado introspecto
puramente mente pura
puro no que diz respeito ao compromisso
com o transcendente do reles ser…
Dor de entranhas e estranhas costumizações sociais…
enfim… Divino, Sublime, Único…
Desconhecidamente transparente…

Com Amor,

 Rês!*** (renata fialho)

alcebíades filho, de quem?

•26/03/2009 • Deixe um comentário

0306_195023

(alcebíades filho, de quem? foto: luzimar borges)

 

 

“Alcebíades

Nome forte para o homem forte.


Alkibiades, do grego,

aquele que governa com violência

e generosidade.


Ele é tirado da bebedeira

por Sócrates

e foi ressuscitado por Quíron

- o mais sábio dos centauros.


Personagem de muitos atos,

e roteiros,

e peças,

a começar pelo nome que carregas.


Sendo assim,

não há como se saber filho de quem…

Já que tu és quem crias,

que pari de si mesmo

em cada personagem.


Meus aplausos!”

 

(Júnia Caetano)

lágrimas-espermáticas: dor e gozo

•25/03/2009 • 1 Comentário

(alcebíades filho, como hamlet-máquina. foto: sarah veríssimo)

 

“e ele carrega o peso

de três Hamlets no pescoço.

Isso é dor, gozo e sofrimento.

Ou seja, isso é Ultra-Gozo.”


(Paulo Castro)

homenagem d`arte cultura web

•25/03/2009 • Deixe um comentário

homenagem com a imagem do mês na comunidade “arte cultura web” – orkut


  (alcebíades filho, como hamlet-máquina. foto: sarah veríssimo)


*

 

VIVA !!!!!!!!

Porra gente, diz se não ficou perfeito !?!
A força, o impacto, a defenestração do lugar comum
através dessa imagem do meu amado Artaud-Alcebíades
!
Quem passa impune por essa imagem ?
Impossível.     

Quem passa impune por nós ?

Beijos.

º

(Paulo Castro)


**


“Ao nosso Alcebíades com carinho.

 

Te vejo e te sinto
a espelhar a nossa dor e coragem
Te beijo beijando-me

Te amo amando-me
Bebo-te bebendo-me
Sorvo-te sorvendo…
… a mim mesma


kente e encorpado como o sangue
Nessas horas vc explode nos trazendo à superfície.
Menino Alcebíades, por esses motivos vc eh NOSSO!!!”


(Cláudia Emília)

 

***

meta do desespero

•22/03/2009 • Deixe um comentário

 

(dina alves, n`Os últimos dias de paupéria, direção: alcebíades filho. participação musical especial: fantasmas cinzentos. foto: sarah veríssimo.)

 

“Ser breve diante de uma necessidade vital, naquele momento exato em que se pulsa pelo lado de fora, a mira, é a primeira e unica meta do desespero, quem puder que se atire diante do fogo em consumo da sua pele, a arte também não afrouxa nada dentro da pele, pega fogo o artista que a possui, o espetáculo sai todinho pronto, é esse o resultado do artista, a arte.  parabéns pelo trabalho.”

Coruja/ Fantasmas

antes do fim de mim

•19/03/2009 • 1 Comentário

(alcebíades filho e partes de dina alves). foto: sarah veríssimo)

 

“Vivo

demasiadamente

tropeçando

caindo e levantando

brigando com o tempo

pra chegar a tempo

antes do fim.”

 

(MM´S)

navegar é preciso, viver…

•18/03/2009 • Deixe um comentário

barco_fantasma

(foto: sem crédito)

 

ÁRIA PARA EMBALAR MÁGOAS…

 

(PRA VOCÊ , ALCEBÍADES: ÁRIA PARA EMBALAR MÁGOAS…)

 

QUANDO UM BARCO ANCORAR 

BEM DEBAIXO DA TUA JANELA

E NÃO TIVER RIO ALGUM, 

EMBARCA ASSIM MESMO!!

PORQUE SE VC NÃO FOR,

NÃO SABERÁ O QUE ESTARÁ PERDENDO.

ESSA É A MÁGICA!! FANTASIEMOS

ENTÃO NOSSAS ILUSÕES COMO

SE FÔSSEMOS CALÇAR NUM

POEMA, SAPATOS DE BRINQUEDO…

E DEIXEMOS QUE ELES DESPENQUEM

LADEIRA ABAIXO, É SÓ ISSO!!

E NO FIM DA LADEIRA SE QUEBROU,

FAREMOS UM BRINQUEDO 

MAIS BONITO AINDA, COM 

TODA VONTADE QUE TEMOS

DE O ARREMESSAR OUTRA

VEZ, SÓ PRA VER O QUE ACONTECE…

BEIJOS! COM CARINHO.

 

 

 

 

(MARIA DE FÁTIMA)

 

abre asas alce voa vai, vai, vai

•18/03/2009 • 1 Comentário

al

(alcebíades filho. foto: alcebíades filho)

 

“VAI ,VAI ALCEBIADES, NAS COSTAS DO VENTO, NO PORÃO DO SOL, SEGUE A NUVEM E SE ESCONDE ATRÁS DELA, PESSOAS COM OLHAR INFANTIL COMO O TEU, DEUS PROTEGE E NÃO DEIXA QUE SEJAM VISTAS, VAI, VIAJA ONDE NINGUÉM JAMAIS BOTOU OS PÉS, PLANTA SUA PEQUENA MUDA DE VOLTAR ATRÁS, NO EXÍLIO DA INFANCIA, ESCONDERIJO PERFEITO ONDE FAZIAS SEU TEATRO DE BONECOS E OS BONECOS ERAM SEUS AMIGOS DE VERDADE… E CHORAVAM E RIAM E SABIAM PEDIR PERDÃO E AJOELHAVAM COM OS OLHOS E UM SORRISO GRANDÃO RASGAVA A TARDE DE TANTA ALEGRIA!!!VAI PULANDO A JANELA DA SALA QUE ACABASTE DE ARRANCAR A PORTA NA MEMÓRIA PARA QUE TODAS SUAS PERSONAGENS DE AGORA, ENTREM, SENTEM – SE NO CHÃO ENCERADO DE FANTASIAS OUVINDO A CANÇÃO QUE FALA DE UMA CONCHA AZUL COM O SOM DE TODOS OS SEUS DIAS IDOS…”

 

MARIA DE FÁTIMA

o amor é pão entre estranhos

•17/03/2009 • Deixe um comentário

oamorepao

(dina alves, luciano costta e patrícia galvão, direção: alcebíades filho.)

te devoro

•16/03/2009 • Deixe um comentário

alce 

(alcebíades filho. foto: alcebíades filho)

 

 

alcebíades.

te devoro, menino.
levo-nos ao mundo puto, outrora dito, “bandido”,
e nele afundamos,
com as senhas corretas,
os aviões,
as escadas que conduzem para uma luz lúgubre,
a fumaça perfumada dos chineses deitados,
os homens de jaqueta de couro,
uma avenida deserta na madrugada,
e por fim,
um lobo como nosso travesseiro
,
a colina em lua.
º
paulo castro

alcebíades embriagado

•15/03/2009 • Deixe um comentário

 

lisistrata

(peça: lisístrata – a greve do sexo. foto: sem crédito)

 

***

 

… Afinal, foi Alcebíades, embriagado, que quase enloqueceu Sócrates.

(paulo castro)

homenagem à coragem de ser

•14/03/2009 • 2 Comentários

paulo

(paulo castro. foto: paulo castro)

Os fantasmas cinzentos

•13/03/2009 • 2 Comentários

osfantasma1

(os fantasmas cinzentos. foto: sem crédito, mas eles têm, kenard)

 

Os fantasmas

Coruja: vocal, violino, sopro

Carlão: vocal,guitarra, violões

Mal: baixo, vocal

Diego: bateria

Coxa: percussão, vocal

Feio: samples, vitrola

Rebeca: vocal

 

Filosofia

razão fria e dura
traz muita dor tontura
é vento que dá frio e acaricia
é pedra que dá abrigo e machuca
trilhas que levam
rumo à chegada
mas fecha-se com o tempo
mata, vela, antes mucha
vida sem viço
é o homem triste sofrido
poesia falida sem vida
sabedoria atrevida
finge sonhar
finge ser um
que mesmo é saber
se é por menos nenhum.

 

ENTREVISTA ON LINE (na íntrega, sem foto)

•13/03/2009 • Deixe um comentário

ENTREVISTA,ENTRE-VISTA, ENTRE NÓS: O ARTISTA

 

Dominique: Ele é jovem, muito jovem. Atua, dirige, escreve, conquista prêmios, impressiona, encanta…

No seu site, o primeiro olhar é desviado para o personagem hamlet-máquina: apaixonante!!!!

.

http://hamletmaquina.wordpress.com/

.

Mutante. Ora o encontramos em um canto, pensativo, agarrado ao seu violão, ora no outro, mastigando um livro servido na mesa, com garfo e faca. Mas o dedo em riste aponta para um troféu, uma foto, onde alguém explicou “eu,no máximo um diretor impensado. Simplesmente um dado. Jogado sobre mim mesmo.”


Mas, quem é ele?

Fruto do Piauí, já assinou Alcebíades Nietzsky, sobrenome que trocou, segundo ele mesmo, após abalos nas relações com Friedrich (Nietzsche). Agora é Filho, filho de Oeiras, filho ins-pirado; alguém sobre quem há muito a dizer. Melhor que ele mesmo o faça. Então, eu pergunto: 


_ Alcebíades Filho, de quem, mesmo?

 

Alcebíades Filho: “Eu sou meu pai, minha mãe e meu filho” – Antonin Artaud. Parêntese: Paulo Castro me adotou com os olhos cheios d`agua. Obrigado papai.

 

Dominique: O que é, para você, o artista?

 

Alcebíades Filho: O artista é o especialista do sentir. Fio teso de sensibilidade.

 

Dominique: Vida e Arte?

 

Alcebíades Filho: Vida acima da vida é arte. Mas , não estabeleço divisão entre ficção e não-ficção. Proponho, antes, uma fricção. Não represento, não minto, a vida que invento eu sinto. Ao não representar, não sei diferençar obra, autor, diretor e ator – que sou? Sou, todo, tela por me reinventar.

 

Dominique: Fale um pouco sobre o seu Primeiro trabalho como ator.

    

Alcebíades Filho: O meu primeiro trabalho como ator foi uma peça infantil chamada “Os três peraltas na praça”.

 

Dominique: Que idade você tinha na época?

 

Alcebíades Filho: Tinha até então 15 anos, sem experiência nenhuma.

 

Dominique: Sei que os últimos trabalhos estão latejando em você, mas gostaria de saber um pouco mais sobre “Os três peraltas na praça”. Fale sobre a personagem, como tudo aconteceu…

 

Alcebíades Filho: Foi uma experiência mágica, não trágica, uma descoberta. Um mundo novo se abriu para mim, naquele instante… Uma a-ventura, nunca antes experimentada, como o primeiro amor,as pernas tremem, os nervos todos se agitam, corpo em pura festa. Minha personagem era um faraó, um pequeno faraó, que não entendia nada dos nossos costumes, e vice-versa, os outros personagens também não entendiam os dele, como por exemplo, era um presente maravilhoso se ganhar um sarcófago, uma honra, os outros não entendiam e se ofendiam… É um texto bacana, pena que o perdi e nunca mais o achei – queria remontá-lo. Esperança de ser de novo criança.

 

Dominique: Os últimos dias de Paupéria é o sangue que corre nas veias nesse momento, mas antes dele aconteceu muita coisa, e prêmios. Fale um pouco sobre os caminhos trilhados desde o faraó até a Paupéria.

   

Alcebíades Filho: Os últimos dias de Paupéria, ferve… E, serve como exemplo de crescimento, um amadurecimento, em relação a Os três peraltas na praça. Diferença radical entre o eu criança, criador de mundos, e o eu adulto, adultero: o destruidor de toda esperança.

 

Dominique: ...antes dele aconteceu muita coisa, e prêmios. Fale um pouco sobre os caminhos trilhados…

   

 

Alcebíades Filho: Sim, muitas pedras rolaram, o próprio amadurecimento do ser, se deu através de muito estudos, cursos, papos, muita coisa. Os prêmios começaram acontecer em 2003, com a peça Pedro Pedreiro, foram quatro de uma só vez! Quando eu ainda participava de um grupo, o Redescobrir, que ajudei a fundar e afundar depois, rsrs, até hoje é um caso de amor mal resolvido. Mas, eu queria voar com as minhas próprias asas, mas, eles não entendiam… Saí. Aí, montei Entre Estranhos, prêmio primeiro lugar Mapa Cultural Paulista. Concorri, inclusive, com meu antigo grupo, mas, pior aconteceu:venci: eles nunca me perdoarão por isso. Não me incomodo e, acredito mesmo: “Tudo late quando o Piauí se faz arte”!

 

Dominique: Partindo para os aspectos práticos, como você resolve a questão da grana para a produção?

 

Alcebíades Filho: É muito difícil, conseguir patrocínio, principalmente, se você não é um ator da Globo, ao meu ver essa atitude é uma imbecilidade, mas, é uma grande verdade, se você não é da Globobobo é posto de lado. No fim das contas, você é quem paga as contas e, banca toda a produção. Não é fácil não. É pior que chupar limão. Ou, como na definição de Tatiana Belinky: “fazer teatro é como estar num trapézio sem rede.” Mas, “é um fenômeno eterno: a vontade ávida sempre encontra um meio.” (Nietzsche). Tirando os percalços financeiros, materiais e humanos, creio que a maior dificuldade, o trabalho mais doloroso da recriação da vida, seja achar consonância entre aquilo que se quer expressar com a materialização da imagem definitiva.

 

Dominique: “seja achar consonância entre aquilo que se quer expressar com a materialização da imagem definitiva. ” Depois quero voltar a isso, mas agora, nessa entrevista on line que avança à meia Noite e meia, quero saber sobre os seus ESTUDOS. A coisa formal.

 

Alcebíades Filho: Oficialmente, em matéria de estudos, faculdade e etc e tal, fiz até o 2 º ano de Pedagogia, mas, quando nada mais condizia com minha filosofia, deu agonia, parei. Continuei como autodidata. Pretendo me formar, mesmo, em Artes, arte cênicas de preferência.

 

Dominique: E o que rola neste momento?

 

Alcebíades Filho: No momento tudo pode acontecer depende de você, hehehe, falando a sério, no momento estou montando um monólogo chamado O anjo maldito.

 

Dominique: Sempre considerei monólogos como atos de coragem. E como esse artista corajoso vê o amor?

 

Alcebíades Filho: Também, acho, é muita responsabilidade. Ainda estou inseguro, mas, creio está maduro para essa experiência. Na verdade, gostaria somente de dirigir, convidei um ator, amigo meu, mais ele se recusou, e como eu não sou de fugir de uma briga, vou a luta, atuarei. Quanto ao amor…. O amor….O amor é a vida da vida.

 

Dominique: E a política?

 

Alcebíades Filho: É uma titica, não? O armartista, meio crucial de revolução (e desmascaramento) dessa des-ordem social. Todos estão cansados de saber: o artista é um sujeito que não se enquadra, é perigoso, divino, maravilhoso…

 

Dominique: Futuro?

 

Alcebíades Filho: (cantando) “Como será amanhã? Responda quem puder. O que irá me acontecer?”. Circo e pão, pra mim e, pra você.

 

Dominique: Voltando ao começo, como e quando a arte se manifestou?

 

Alcebíades Filho: Essa in-cômoda-vontade-de-ser-eu-tão-só-tanta-gente, se deu de repente, não tive tempo pra pensar e/ou escolher, nos idos dos anos 90. Fui es-colhido, pelo a-caso, pra ser, de casa, o único doido varrido, mais l-h-o-u-cão, dos seis irmãos – não, em nossa casa não tinha televisão!

 

Dominique: Qual é sua concepção de criação?

 

Alcebíades Filho: Na geléia geral teatral, alguém tem que fazer o papel do marginal, o torto que mantém o arco sempre teso. F-aço, dês-f-aço, re-f-aço. Tenho verdadeira obsessão pela destruição: não há nada mais contrário à criação que deixar as coisas como são e/ou estão. Afinal, essa é a natureza dionisíaca: desejo pela aniquilação.

 

Dominique: Para você, o que é atuar?

 

Alcebíades Filho: Atuar é saltar sobre si mesmo, em salto múltiplo, triplo, duplo e uno e verso: universo. “É uma ventura ser tu mesmo e outra criatura”; é uma emoção; puta tesão; é a própria febrecação do sonho.

 

Dominique: E dirigir?

 

Alcebíades Filho: Dirigir é ir em direção a algo ou alguma coisa; é perseguir uma ideia (sem acento como quer o novo acordo ortográfico), até ela se transformar em coisa. É um trabalho ordinário, solitário. Trágico? Triste, talvez. É, em Teatro, o oficio mais difícil, de se fazer, mas, o que mais me dá prazer.

 

Dominique: Qual considera o seu trabalho mais importante?

 

Alcebíades Filho: Considero Entre Estranhos, um trabalho importante, foi uma fase brilhante, quando eu, ainda, estava confiante nas pessoas: eu achava que elas fossem capazes de amar a si própria e o mundo, mas, não, não são. Agora, na minha humilde opinião, Os últimos dias de Paupéria, é o trabalho mais genial que fiz e, por isso mesmo, o mais importante. É uma crítica cortante ao Homem contemporâneo; é minha visão após calypso, pessimista, futurista e apocalíptica. 

 

Dominique: Sobre a interação/interesse (ou não) das pessoas com o teatro, o que você tem a dizer.

 

 

Alcebíades Filho: Atribuo o desinteresse a imbecilidade generalizada, a mente atrofiada das pessoas pela televisão, cinema e, internet, onde não se exige pensar, onde tudo é jogado  mastigado. Por outra: a má qualidade de algumas peças;O valor do ingresso exorbitante, se bem pode fazer de graça, alguns não vão, por está tão alienado, confinado em seu próprio mundo; Culpa, também, têm os diretores e os atores, cômodos, cômicos. De minha parte não faço arte pra burro, para isso tenho uns conhecidos meus que fazem – e muito bem! – esse tipo de teatro. Nas minhas apresentações você, quer queira, quer não, será levado à reflexão. O meu publico não fica, na platéia, boboca comendo pipoca, dou-lhe, antes, um soco na boca. Nelson Rodrigues o profeta do obvio, prévio o ovo no cu da minha galinha, quando ainda nem galinha eu tinha: “chegará um dia que ninguém irá ver Shakespeare, com medo que o Hamlet lhe bata a carteira.” Uepa! Meu Hamlet, n`Os últimos dias de Paupéria é, essa concepção de homem: o destruidor, o aproveitador… Enfim, o ladrão, o batedor de carteira.

 

Dominique: Alcebíades, você é uma fonte inesgotável de sensibilidade, idéias, experiências. Deixo esse espaço para as suas considerações sobre seus trabalhos, sobre o ato de dirigir, sobre o que você quiser. A palavra é sua.

 

Alcebíades Filho: Agradeço a você, Dominique, pela disponibilidade fulminante e, pela aposta na alegria. Espero, sinceramente, que essa entrevista não fique somente entre-vista, entre lente, seja, antes de tudo, um entre-dente: dente no dente, um a mordida na minha ferida. Aceito qualquer posição, menos a acomodação.Do ponto de vista pessoal eu sou anti-social: não gosto de multidão, gosto de silencio e solidão. Mas, hoje não: hoje eu quero estar no meio da con-fusão: eu quero transar: transar é, sem grandes segredos dantes, atravessar os andes contigo. É gostoso, mas, é, também, perigoso: cuidado comigo, amigo! 

A Dominique, a Dominique, bicho, é linda, divina, maravilhosa e… Gostosa! Eu quero me casar com ela: a gente se transa muito bem! Foi ideia dela, esse trem: essa transa, puta tesão, meu irmão, não se reprima caia de boca, sem roupa, por cima de mim. Vamos transar? Disse e repito: aceito qualquer posição “ando por baixo da avenida há muito tempo”. Vamos lá, vamos transar. All right?

 

Trabalhos:

(1) como ator: Os três peraltas na praça, O último julgamento, (performance), Pedro Pedreiro – a saga de um povo(espetáculo vencedor, em quatro categoria, no Festival Santista de Teatro Amador (FESTA), Santos, SP, 2003), Revolução dos brinquedos, Curta 3 cenas curtas, Lisístrata – a greve do sexo, Paixão de Cristo, Entre Estranhos (espetáculo vencedor (melhor espetáculo/diretor) Mapa Cultural Paulista, fase Municipal, Guarujá, SP, 207), Brigas, Ménage, É impossível ser feliz sozinho, Com tudo e cima, Cena de sangue num bar da avenida são João e Os últimos dias de Paupéria.

 

(2) como diretor

Curta 3 cenas curtas, É impossível ser feliz sozinho, Cena de sangue num bar da avenida São João, Entre Estranhos, Homens e Mulheres(performance musical), Minha mãe é uma comédia(esquete), Gaivota e peixinho (esquete) e Os últimos dias de Paupéria.

 

Dominique: Essa foi a minha primeira entrevista on line, especialmente pensada para acontecer neste espaço. 

 

A primeira. Jamais a esquecerei!!! 

 

A idéia não foi esgotá-la, pelo contrário, faz parte desse contexto deixar assuntos em aberto, poros nos quais podemos penetrar e extrair a seiva alcebíade. Esmiuçar, digerir esse artista e as suas muitas e todas posibilidades.

 

E esse é o Alcebíades, filho de si e dos demais incorporados a si, aquele que quer experimentar, “ entre-dentes: dente no dente, a mordida…” 

 

Comam-me!!! Disse-me ele em uma conversa anterior. 

 

 

Entrego-o a vocês.

 

Nota:  Entrevista On Line concedida a jornalista Dominique para a Comunidade Arte Cultura Web.

pedro pedreiro

•12/03/2009 • Deixe um comentário

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(peça pedro pedreiro – a saga de um povo. foto sem crédito)

 

 pedro pedreiro – a saga de um povo, espetáculo vencedor do festival santista de teatro amador (FESTA) – 2003, nas seguintes categorias: melhor trilha sonora, melhor coreografia, melhor ator coadjuvante  e prêmio especial do juri pelo conjunto da obra. texto de renata pallottini; com direção de glauce teodoro, coreografia de jaykobs; o elenco é composto por: alcebíades filho (de quem mesmo?), como pedro; lucimar aparecido, como etelvina; guillherme fagundes, como waldemar; luís bonelli, como cantora; alexandre poli (uepa!), como o profeta, e josenildo silva, como o delegado, dentre outros e outras.

conquista: mapa cultural paulista

•08/03/2009 • Deixe um comentário

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Troféu, 1º lugar (melhor espetáculo/diretor), Mapa Cultural Paulista, Fase Municipal, Guarujá, SP, 2007, Espetáculo Entre Estranhos, textos: Alex Moreira Carvalho, direção: Alcebíades Filho, com: Dina Alves, Luciano Costta e Patrícia Galvão, coreografia: Luis Bonelli.

o que vou ser, quando eu crescer

•06/03/2009 • Deixe um comentário

 

artaud

antonin artaud. foto sem crédito.

arte: a representação da representação

•05/03/2009 • Deixe um comentário
“O mundo é minha representação (…) Nenhuma verdade é pois, mais certa, mais absoluta, mais evidente do que esta: tudo o que existe, existe para o pensamento, isto é, o universo inteiro apenas é objeto em relação a um sujeito, percepção apenas, em relação a um espírito que percebe, numa palavra, é pura representação.” 

 

SCHOPENHAUER, Arthur. In ‘O Mundo como Vontade e Representação’.

Se TUDO, em suma, é uma questão de representação, como quer o filósofo alemão Schopenhauer, então, destarte, a ARTE não é senão a representação da representação; a imagem da imagem. E, o ARTISTA, seria, então, não aquele que cria, uma fez que tudo aí já está, mas, aquele que faz valoração. A função do artista não é criar, mas, valorar.

kenard kaverna

•01/03/2009 • Deixe um comentário

akenard

 

 

 

(kenard kruel by fernando di castro)

 

 

http://www.kenardkaverna.com/

e/ou

http://www.krudu.blogspot.com/

ENTREVISTA, ENTRE-VISTA, ENTRE NÓS: O ARTISTA

•21/02/2009 • 3 Comentários

dominique

 

 

Dominique: Ele é jovem, muito jovem. Atua, dirige, escreve, conquista prêmios, impressiona, encanta…

 

 

 

No seu site, o primeiro olhar é desviado para o personagem  hamlet-máquina: apaixonante!!!!
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http://hamletmaquina.wordpress.com/
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Mutante. Ora o encontramos em um canto, pensativo, agarrado ao seu violão, ora no outro, mastigando um livro servido na mesa, com garfo e faca. Mas o dedo em riste aponta para um troféu, uma foto, onde alguém explicou “eu,no máximo um diretor impensado. Simplesmente um dado. Jogado sobre mim mesmo.”

 Mas, quem é ele?
Fruto do Piauí, já assinou Alcebíades Nietzsky, sobrenome que trocou, segundo ele mesmo, após abalos nas relações com Friedrich. Agora é Filho, filho de Oeiras, filho ins-pirado; alguém sobre quem há muito a dizer. Melhor que ele mesmo o faça. Então, eu pergunto: 

-  Alcebíades Filho, de quem, mesmo?

 

alcebiades

 

 

Alcebíades: “Eu sou meu pai, minha mãe e meu filho” – Antonin Artaud.

Parêntese: Paulo Castro me adotou com os olhos cheios d`agua. Obrigado papai.

 

 

 

 

Dominique: O que é para você o artista?

Alcebíades Filho: O artista é o especialista do sentir. Fio teso de sensibilidade

Dominique: Vida e Arte?

Alcebíades Filho: Vida acima da vida é arte. Mas , não estabeleço divisão entre ficção e não-ficção. Proponho, antes, uma fricção. Não represento, não minto,  vida que invento eu sinto. Ao não representar, não sei diferençar obra, autor, diretor e ator – que sou? Sou, todo, tela por me reinventar.


dina

Dominique: Partindo para os aspectos práticos, como você resolve a questão da grana para a produção?

Alcebíades Filho: É muito difícil, conseguir patrocínio, principalmente, se você não é um ator da Globo, ao meu ver essa atitude é uma imbecilidade, mas, é uma grande verdade, se você não é da Globobobo é posto de lado. No fim das contas, você é quem paga as contas e, banca toda a produção. Não é fácil não. É pior que chupar limão. Ou, como na definição de Tatiana Belinky: “fazer teatro é como estar num trapézio sem rede.”

Mas, “é um fenômeno eterno: a vontade ávida sempre encontra um meio.” (Nietzsche). Tirando os percalços financeiros, materiais e humanos, creio que a maior dificuldade, o trabalho mais doloroso da recriação da vida, seja achar consonância entre aquilo que se quer expressar com a materialização da imagem definitiva.

Dominique: E o que rola neste momento?

Alcebíades Filho: No momento tudo pode acontecer depende de você, hehehe, falando a sério, no momento estou montando um monólogo chamado O anjo maldito.

Dominique: Sempre considerei monólogos como atos de coragem.  E como esse artista corajoso vê o amor?

Alcebíades Filho: Também, acho, é muita responsabilidade. Ainda estou inseguro, mas, creio está maduro para essa experiência. Na verdade, gostaria somente de dirigir, convidei um ator, amigo meu, mais ele se recusou, e como eu não sou de fugir de uma briga, vou a luta, atuarei. Quanto ao amor…. O amor….O amor é a vida da vida.

Dominique: E a política?

Alcebíades Filho: É uma titica, não? O armartista, meio crucial de revolução (e desmascaramento) dessa des-ordem social. Todos estão cansados de saber: o artista é um sujeito que não se enquadra, é perigoso, divino, maravilhoso…

Dominique: Futuro?

Alcebíades Filho: (cantando) “Como será amanhã? Responda quem puder. O que irá me acontecer?”. Circo e pão, pra mim e, pra você.

Dominique: Voltando ao começo, como e quando a arte se manifestou?

Alcebíades Filho: Essa in-cômoda-vontade-de-ser-eu-tão-só-tanta-gente, se deu de repente, não tive tempo pra pensar e/ou escolher, nos idos dos anos 90. Fui es-colhido, pelo a-caso, pra ser, de casa, o único doido varrido, mais l-h-o-u-cão, dos seis irmãos – não, em nossa casa não tinha televisão!

Dominique: Para você, o que é atuar?

Alcebíades Filho: Atuar é saltar sobre si mesmo, em salto múltiplo, triplo, duplo e uno e verso: universo. “É uma ventura ser tu mesmo e outra criatura”; é uma emoção; puta tesão; é a própria febrecação do sonho.

Dominique: E dirigir?

Alcebíades Filho: Dirigir é ir em direção a algo ou alguma coisa; é perseguir uma ideia (sem acento como quer o novo acordo ortográfico), até ela se transformar em coisa. É um trabalho ordinário, solitário. Trágico? Triste, talvez. É, em Teatro, o oficio mais difícil, de se fazer, mas, o que mais me dá prazer.

Dominique: Qual considera o seu trabalho mais importante?

Alcebíades Filho: Considero Entre Estranhos, um trabalho importante, foi uma fase brilhante, quando eu, ainda, estava confiante nas pessoas: eu achava que elas fossem capazes de amar a si própria e o mundo, mas, não, não são.

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Agora,

na minha humilde opinião, Os últimos dias de Paupéria, é o trabalho mais genial que fiz e, por isso mesmo, o mais importante.

É uma crítica cortante ao Homem contemporâneo; é minha visão após calypso, pessimista, futurista e apocalíptica. 

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Dominique: Sobre a interação/interesse (ou não) das pessoas com o teatro, o que você tem a dizer.

Alcebíades Filho: Atribuo o desinteresse a imbecilidade generalizada, a mente atrofiada das pessoas pela televisão, cinema e, internet, onde não se exige pensar, onde tudo é jogado de forma mastigado. Por outra: a má qualidade de algumas peças;O valor do ingresso exorbitante, se bem pode fazer de graça, alguns não vão, por está tão alienado, confinado em seu próprio mundo; Culpa, também, têm os diretores e os atores, cômodos, cômicos. De minha parte não faço arte pra burro, para isso tenho uns conhecidos meus que fazem – e muito bem! – esse tipo de teatro. Nas minhas apresentações você, quer queira, quer não, será levado à reflexão. O meu publico não fica, na platéia, boboca comendo pipoca, dou-lhe, antes, um soco na boca. Nelson Rodrigues o profeta do obvio, prévio o ovo no cu da minha galinha, quando ainda nem galinha eu tinha: “chegará um dia que ninguém irá ver Shakespeare, com medo que o Hamlet lhe bata a carteira.” Uepa! Meu Hamlet, n`Os últimos dias de Paupéria é, essa concepção de homem: o destruidor, o aproveitador… Enfim, o ladrão, o batedor de carteira.

Dominique: Alcebíades, você é uma fonte inesgotável de sensibilidade, idéias, experiências. Deixo esse espaço para as suas considerações sobre seus trabalhos, sobre o ato de dirigir, sobre o que você quiser. A palavra é sua.

Alcebíades Filho: Agradeço a você, Dominique, pela disponibilidade fulminante e, pela aposta na alegria. Espero, sinceramente, que essa entrevista não fique somente entre-vista, entre lente, seja, antes de tudo, um entre-dente: dente no dente, um a mordida na minha ferida. Aceito qualquer posição, menos a acomodação.Do ponto de vista pessoal eu sou anti-social: não gosto de multidão, gosto de silencio e solidão. Mas, hoje não: hoje eu quero estar no meio da con-fusão: eu quero transar: transar é, sem grandes segredos dantes, atravessar os andes contigo. É gostoso, mas, é, também, perigoso: cuidado comigo, amigo! 
A Dominique, a Dominique, bicho, é linda, divina, maravilhosa e… Gostosa! Eu quero me casar com ela: a gente se transa muito bem! Foi ideia dela, esse trem: essa transa, puta tesão, meu irmão, não se reprima caia de boca, sem roupa, por cima de mim. Vamos transar? Disse e repito: aceito qualquer posição “ando por baixo da avenida há muito tempo”. Vamos lá, vamos transar. All right?

Dominique: Essa foi a minha primeira entrevista on line, especialmente pensada para acontecer neste espaço. 

A primeira. Jamais a esquecerei!!! 

A idéia não foi esgotá-la, pelo contrário, faz parte desse contexto deixar assuntos em aberto, poros nos quais podemos penetrar e extrair a seiva alcebíade. Esmiuçar, digerir esse artista e as suas muitas e todas posibilidades.

E esse é o Alcebíades, filho de si e dos demais incorporados a si, aquele que quer experimentar, “ entre-dentes: dente no dente, a mordida…” 

Comam-me!!! Disse-me ele em uma conversa anterior. 

Entrego-o a vocês. 

Dominique

 

Nota: Trecho da Entrevista On Line para a comunidade Cultura Web http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=80295605 - Orkut. 

alcebíades filho, de quem mesmo?

•20/02/2009 • Deixe um comentário

figura1

Alcebíades, fazer do palco sua casa onde você chega e se despe de todos os seus sentimentos , faz um gole de ilusão bem quente e come repartido em mil o pão que alimenta a fome da sua arte, faz brotar nos olhos da platéia lágrimas indecisas na face. E vai o tempo passando, vai vestindo os trajes que lhe transportarão no porão da arte , sobe até o sótão e desce por um corrimão de melancolia segurando na corda forte e inquebrável da fantasia, se transforma em palhaço, vendedor ambulante, pedreiro, bóia fria, e no fim quando esperam o clímax de todas as personagens, a que foi deixada como carta na manga, você simplesmente surpreende sendo só o que é, Alcebíades Filho, de quem mesmo? 

Maria de Fátima

poema 7

•16/02/2009 • 1 Comentário

 

Poema: Honey Arce (CHILE).
Leitura: Paulo Castro ( BRASIL).

camille claudel

•16/02/2009 • Deixe um comentário

camille

simplesmente alcebíades

•14/02/2009 • Deixe um comentário

eu-torquato1

alcebíades filho. foto: luciano costta.

 

Canto, canto o que nunca se elabora. Tímido, embora. A inibição quase me devora. Ultrapasso-a, som e fúria: ao cantar exponho-me assim, rudeza delicada. Só no traço melódico exponho fácil todo amor que trago. Meu nome, quando e então, é gozo cálido. Borboletas, miríades. Ou simplesmente Alcebíades.

alex m. carvalho

cem por cento

•09/02/2009 • Deixe um comentário

 

poema, dez por cento, por paulo castro

os últimos dias de mim

•06/02/2009 • 1 Comentário

osultimosdiasdemim

alcebíades filho. foto: sarah veríssimo.

 

eu sou como eu sou

vivente

e

vivo desesperadamente

todas as horas do fim

de mim

 

alcebíades filho/torquato neto


***

 

O texto me agradou. Enxuto. Mas não seco.
Sábios os que vivem o enigma das horas de tal relógio, lamento opinar, já com os ponteiros parados para muitos.
Não para ti.
Mas o que mais que me agradou, me deu um soco, me deu uma alma na minha alma, me deu espada de samurai na veia,
foi a FOTO.
A força da expressão, que não é dolorosa, não é trágica, não é desesperada: ou seja, não se encontra adjetivos para sua foto.
Um culturette chamaria de “expressionista” e ainda assim estaria apenas longe da verdade, qual é não sei e por isso sou arremessado pela imagem de encontro à muralha.
Arrebatador !
º

http://vazamentosdevapores.blogspot.com/

Paulo Castro


eu, torquato

•06/02/2009 • Deixe um comentário

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alcebíades filho. foto: luciano costta.

 

 

Torquato. Torquato talvez seja um nome exato. Ou não. Qual a importância da exatidão? Tudo late quando o Piauí se faz Arte. O cotidiano é sempre desastre. Ou não. Quando o olhar fala mais do que guarda-sóis carregados como se fossem hastes, não há dúvida: estamos diante de muitos Alces. Eles se multiplicam na presença calada, argumentada, retirada, ousada, delicada de um só vinte e três anos, inúmeros Sartres. Sou embate. Aliás, nunca sou. Contradição? Talvez não. Apenas deixo-me fabricar partes. De um só coração: aquele que arde. Somos inúmeras e delirantes tardes. Martes? 

 

Texto: Alces, por Alex Moreira Carvalho, 2006)

torquato neto (1944 – 1972)

•06/02/2009 • Deixe um comentário

 

toquato

torquato neto. foto: ivan cardoso.

 

 

os últimos dias de um romântico

•06/02/2009 • 1 Comentário

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torquato neto, como nosferatu, no filme nosferatu no brasil, de ivan cardoso.

 

 

OS ÚLTIMOS DIAS DE UM ROMÂNTICO

 

 

 

PAULO LEMINSKI *

 

 

Tímido Nosferatu na calçada de Copacabana, Torquato Neto perfez o fadário de todo vampiro que se preza, percorrendo a sina dos “não mortos”.

 

Torquato Neto é, talvez, o único mito poético dessa geração que aí está, “mito”, aqui, no sentido originário de figura-síntese de uma idéia com força e valor coletivos. Arquétipo. Modelo. Forma-cristal. Para esta geração (como delimitá-la?). Torquato encarna um dos mitos mais caros da nossa gente: o mito do poeta morto jovem. Esse mito, de extração romântica, tem uma linhagem que começa no Werther de Goeth, passa por Musset, Nerval, , entre nós, por Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Castro Alves, Augusto dos Anjos, Cruz e Souza, os “prematuros desaparecidos”, em contraposição às próperas longevidades de um Drummond, por exemplo.

 

 Esse mito, certamente, é um pálido reflexo do mais profundo mito do mundo mediterrâneo e, por extensão, do ocidente: o de um deus jovem, que dá a vida pelos que nela crêem: Adônia, Osíris, Jesus. Essa idéia para um chinês, um japonês, um oriental, um budista, é perfeitamente absurda.

 

“Credo quia absurdum”.

 

 Nós todos acreditamos em Torquato.

 

 Afinal, a auto-imolação não é gesto ao alcance de qualquer um.

 

A vida de Torquato Neto não interessa. Não interessa a vida de ninguém. Eu não aceito esse ponto de vista. Acho até que, em certos poetas, o desenho da vida pode ser um poema. Não se escreve só com palavras. Grava-se com o corpo, o gesto, a atitude. O comportamento, sartreanamente, com as escolhas globais.

 

Tem poetas nos quais importam, também, a peripécia contextual que cerca seu fazer e seus feitos: a gesta total, o ser-signo inteiro.

 

 O que se sabe de Torquato: um poeta de província (Piauí? Goiás? Santa Catarina?), um dos letristas da Tropicália, suicidou-se, parece. Pouco se sabe de Torquato. Felizmente. Mito que se preza não tem biografia. As biografias têm a irritante mania de reconduzir os mitos das suas rarefeitas altitudes para as platitudes da humana condição. Vai ver, no fundo, Torquato era pessoa como qualquer um de nós, esse Qualquer Um de Nós que pena atrás da grana, engole cara feia de patrão e exulta, como os escravos, no dia da distribuição dos pães; Conhece “aquela pessoa”. Deixa traços de sua passagem. E passa.

 

 

Ainda brilha o dia tropicalista, que raiou na poesia brasileira, nos idos de 68. Foi a época em que nós todos começamos a nos tratar de loucos. Até ali, loucura era insulto.

 

 Nós desfraldamos a loucura como o fervor de quem empunha uma bandeira. Feudianos, a loucura foi igual para todos. Mais alguns foram mais loucos que os outros. Não há democracia no reino da loucura. Torquato foi um príncipe da loucura, um Ludwig da Baviera no Posto Seis. E lá estava Torquato nos alvores do dia tropicáustico, tropicalmo, as mãos cheias de versos, frases claras, frases raras, armas, araras. Torquato marca uma mudança radical, um salto qualitativo, na história disso que se chama, na falta de termo melhor, poesia brasileira.

 

 Poesia que, hoje, não apenas se lê nos livros, mas se escuta nas canções, nos discos, nos rádios, na TV, na vida, enfim.

 

 Torquato tem muito que ver com isso.

 

 O seqüestro da poesia pela literatura foi longo como o seqüestro dos diplomatas norte-amercianos pelos iranianos do Aiatolá Khomeini. No Brasil, foi o tropicalismo quem a libertou.

 

 Com esse des-movimento (que cuidou do próprio enterro, encenado na TV, pelas suas principais estrelas), irrompem na cena brasileira, como é de conhecimento de todos os leitores do “Folhetim”, poetas de primeiríssima ordem, se expressando, não em livros mas em discos. Bota Chico Buarque nisso. Absolutamente, Caetano, e seus companheiros, Gil, a seguir, Capinan, Tom Zé, o que a gente tem vontade de acrescentar, tudo de melhor que, em letra veio algo depois: Galvão, dos Novos Baianos, Waly sailormoon, Duda Machado, todos letristas do período imediatamente pós-tropicália.

 

 Porque, com Torquato, começa a existir essa estranha estirpe de poetas: os letristas. Patrulhas dos mandarins das Belas Letras gostariam de lhes negar até o pretigioso título de poetas. E relegar a poesia da letra de música ao sub-solo da subliteratura.

  

A poesia da letra de música seria fácil, carregada de redundância e banalidade, laborando sobre sentimentos elementares, girando em torno de meia dúzia de situações prototípicas: boy meets girl, que bom, ela me ama, azar, ela não me ama mais, como era bom quando ela me amava, quem me dera uma paisagem assim e assado para transar com meu amor, as venturas e desventuras daquele amor romântico, inventado pelos trovadores provençais, os antepassados diante dos músicos-poetas do mundo pop.

 

 Só que a arte desses trovadores provençais (Arnaut Daniel, por exemplo) em nível de palavra é de teor tal, que coloca alguns deles entre os mais altos criadores da lírica de todas as épocas. Com ou sem música.

 

  

Dias atrás, li, numa das principais revistas brasileirasm a resenha de um disco de Chico Buarque, na qual o comentarista falava da poesia de Caetano, botando a palavra “poesia” entre aspas, acrescentando ainda um “digamos”, a “poesia” de Caetano. A questão é saber: mantemos ou tiramos as aspas, quando falarmos da poesia (ou da “poesia”) dos letristas e poetas-músicos?

 

 A geração à qual Torquato pertence, Caetano à proa, respondeu, criativamente, inundando o País com letras e canções de tamanha estatura poética que fica difícil achar paralelos na poesia escrita do mesmo período. Os mandarins vão ter que dormir com essa.

  

 

Mas a hostilidade dos mandarins, guardiães da coroa de louros de Apolo, provocou o excesso contrário: o menosprezo pela poesia escrita que, de Guttemberg à poesia de vanguarda, tem quinhentos anos de evolução autônoma especialidade, diante da poesia da letra de música.

 

 A poesia escrita é uma criação da imprensa Guttenberguiana. Afinal, até o soneto foi feito, no início, para ser cantado. “Soneto” é, em italiano, um “sonzinho”. 

 

Mas a métrica, na poesia escrita, não se explica, se esquecermos que a poesia, nas origens, era “words set to music”, palavras para cantar. A ponto de Ezra Pound, poeta e músico, advertir que a poesia decai, quando passa muito tempo afastado da música, sua matriz e destino.

 

 No Brasil, dos anos 60 para cá, a poesia cantada e a escrita tem dialogando de modo fecundo, em inúmeros momentos. Basta invocar os conhecidos contactos, por exemplo, entre Caetano & Gil e a poesia concreta paulista (Caetano, em “Sampa”, introduz, na música popular, a própria expressão “poesia concreta”). Ou entre a poesia de Chico Buarque e as de Drummond e João Cabral. A essas influências da poesia escrita, acrescentou-se, nos anos 60, a da poesia de Oswald de Andrade & Antropofagia, ressuscitada por reedições e encenações de peças.

 

A mais conhecida das letras de Torquato, “Geléia Geral” (o nome foi emprestado por Torquato de Décio Pignatari, que cunhou a expressão no editorial de uma revista “Invenção”) é oswaldiana até a medula. No ufanismo irônico. Na enumeração Kitsch-caótica das “relíquias do Brasil”. A mesma dança, ano que vem, mês que foi. A marca oswaldantropofágica, porém, está na própria linguagem de “Geléia Geral”: na técnica de cortes, de flashes, de montagens cinematográficas, de rimas trocadilho (inicia / anuncia), de malandragens verbais.

 

 ”Geléia Geral” traz estes dois versos: “resplandente cadente fagueira num calor girassol com alegria”. Percebe-se que a cafona palavra “fagueira” vira “fogueira”, quando você ouve / lê o ígneo verso seguinte. E esse cadente se transforma num incandescente candente. Alta era a arte de Torquato, poeta das elípses desconcertantes, dos inesperados curto-circuitos, mestre da sintaxe descontínua, que caracteriza a modernidade.

 

 Jovens poetas do Brasil, quem não fez um poema em homenagem a Torquato, atire a primeira estrofe.

 

A morte de Torquato foi um grande poema, suicídio, a performance máxima. A destruição da vida para a transformação em mito, com nas “Metamorfoses” de Ovídio, onde os personagens morrem só para se transmutar em constelações, em estrelas.

 

 A garotada pegou o recanto.

 

Torquato é meio-deus para vários poetas jovens que eu conheço. O modelo de sua vida integralmente dada à experiência poética, no fundo, a “trip” do barco bêbado do Rei Arthur, Arthur Rimbaud. Um grande sábio um dia disse que o signo é a morte da vida. Mas, sem signo, vida degradada, a vida não dura. A vida é curta, o signo é longo.

 

 Como Buda, Confúcio, Sócrates ou Jesus, Torquato não deixou livros. O Livro de Torquato é esse “Os Últimos Dias de Paupéria”, muito bem editado por Waly Sailormoon, vitrina dos vários possíveis de Torquato: em letra, poesia escrita, ensaios jornalísticos, fragmentos de diário, retrato estilhaço de um poeta por outro poeta.

 

 Essa – digamos – precariedade do “corpus torquatiano” “para falar como os mandarins é um fato de mistério: a incompletude, a obra aberta, o poder ser. Talvez, por isso, Torquato tenha influenciado tanto.

  

Isso que se chama, imprecisamente, de “poesia marginal” o invoca entre os santos do seu panteão, quando não como “heros ktistes”, deus fundador. Morto aos 28 anos, Torquato deixou fragmentos, “rari nantes in gurgite vasto”, “disjecta membra”, cacos de uma explosão nuclearéxistencial. Mas a realidade, aí, foi de uma grande elegância e precisão. Atingido em cheio pela bomba da modenridade, Torquato dispersou-se em microepifanias, letras, poemas, textos de jornal. O que só aumenta seu pretígio numinal diante de uma geração televisiva, marshal-mclunaniana, descontínua, paratática.

 

 A flor que foi cortada antes do tempo é emblema de todas as virtualidades. Torquato é a divindade que, na poesia brasileira, preside o poder-ser.

 

Se Torquato é o mártir auto-imolado da poesia cantada brasileira, Mário Faustino é seu desastrado (”hecatombado”) equivalente, na área escrita. Desaparecido em desastre aéreo, Faustino deixou atrás de si o perfume de uma militância poética, que teve seu auge no Caderno B do “Jornal do Brasil”, na época de Reynaldo Jardim, quando Mário, diretor, abriu espaços e tempos para o que de mais radical se fez e fazia. Aberto tanto para o melhor passado quanto para o mais agudo presente, o suplemento de Faustino foi um momento histórico.

 

 Poundiao, Mário Faustino imprimiu ao Caderno B do JB uma diretriz clara, seletiva, paideumática, a única que tem “virtú” para atuar como agente de transformação da cultura: escolhas radicais, a partir de critérios precisos. Como poeta, “último verse-maker”, como o chamou um companheiro de geração, Faustino deixou uma produção incompleta e fragmentária, sílabas para uma palavra que se ia chamar “O Homem e Sua Hora”, macropoema, ao molde dos “Cantos” de Pound, que deveria sintetizar a experiência vital do poeta num todo significante.

 

 Contemporâneos, em alguns aspectos, Faustino é o oposto de Torquato. Torquato é popular, “reles”, pop, para tocar no rádio, sermo plebeius. Faustino é “sermo nobilis”. aristocratizante, altamente letrado, cheio de laivos da geração de 45 (helenismos, palavras raras, preciosismos da expressão, anticoloquialismo). Na poesia Provença medieval, distinguia-se entre um “trobar léu” um “trobar ric” e um “trobar clus”, o poetar leve, o poetar rico e o poeta escuro.

 

 O “trobar léu”, o poeta leve, era o mais parecido com isso que, hoje, é normal na letra da música popular: o verso fluente, fácil de entender, pop. (ver os trovadores Marcabru, Guilhaum de Peitau, Peire Vidal). Palavras solenes e sintaxe elevada, o “trobar ric”. “Clus” era o “trobar” difícil, não acessível à primeira audição, seja pela complexidade da “metaphysical” idéia ou pelo abstruso da imagem, da alusão, pela raridade da palavra ou pela extrema arquitetura musical do edifício verbal da letra (Arnaut Daniel). Nessa lógica “trovençal”, Faustino pratica um “trobar ric”, com ocasiões de “clus”.

 

 Torquato é “léu” e, às vezes, “clus”. A co-existência dessas diferenças entre dois grandes poetas contemporâneos deve ser altamente didática para todos aqueles que querem reduzir a poesia a um só momento, a um só “trobar”.

 

 Em passado “Folhetim”, num ensaio “Forma é Poder”, denunciei a suposta “objetividade” da linguagem jornalística, mostrando como esse efeito é precipitado de uma codificação de linguagem, uma cristalização canônicas de recursos que, estabilizando o discurso, transmita a sensação de “realidade”. Jornalismo não tem “estilo”. Ora, o que há no mundo da inteligência são as especificidades de cada consciência. Todas as cabeças são “estilos”.

   

A linguagem jornalística é imposta por uma autoridade: um Poder. Mas pode-se dinamitar essa tirania: por dentro, na linguagem. De pronto, lembro três momentos: os jornalismos de Oswald de Andrade, de seu herdeiro, Paulo Francis, e de Torquato. Na coluna que, longo tempo, manteve no jornal. “Última Hora”, Torquato praticou, em nível de massas, a mais ágil das linguagens: esplendidamente “subjetiva”, descontínua, ideogrâmica, blocos carregados de eletricidade, movida a elipses, elípse, a figura-mestra de Torquato, conduzida até a elíptica apoteose de auto-eliminação final, o efeito da Falta.

  Não exagero ao dizer que Torquato criou um padrão de jornalismo cultural. Um padrão baseado na extrema criatividade de linguagem. Na hibridização dos discursos: poética, factual, materiais nobres x pobres. Esse jornalismo torquatiano estava a serviço de uma causa, a promoção do super-oito e do cinema marginal, periférico às glórias e consagrações do Cinema Novo, em vias de academização, comercialização e caretice. Breve nas telas deste cinema. Torquato Neto.

 

 Não diz pouco da grandeza do poeta Torquato dizer que sua última grande preocupação foi o cinema, essa arte não-verbal, mas síntese de todas as artes, destino das artes, conforme Eisenstein: destinação do verbal, do gestual, do visual, num só ponto-ômega.

  

Poesia é ação entre códigos: todo poeta é intersemiótico. É Pound, músico e poeta. Maiakovski: poeta e artísta plástico.

   

Em termos de Brasil século 20, são conhecidas as relações entre Oswald, Murilo e Cabral e as artes plásticas. Ou as tangências e secâncias entre Bandeira e Vinícius e a música. E “concreta” era a pintura, antes da poesia. O poeta não é um escritor: é um artista.

 

 Tímido Nosferatu na calçada de Copacabana, Torquato perfez o fadário de todo vampiro que se preza, a sina dos “un dead”.

 

 Mais conciso que o bilhete final de Maiakovski, o de Torquato diz tudo. Diz quando a vida pode ficar pesada nas mãos de uma criança.

  

*PAULO LEMINSKI é poeta e compositor, autor de “Catatau” e “Verdura”. Jornal Folha de São Paulo, Folhetim, 7.11.1982.

ao vencedor as batatas

•05/02/2009 • Deixe um comentário

alcebiadesfilho

alcebíades filho. foto: luciano costta.

 

 

o alce-bíades filho (de quem mesmo?) é um garoto que o piauí precisa, urgentemente, resgatar, reconhecer, repensar, reamar. trata-se de um autêntico vencedor. embora por e para isso tenha segurado e ainda segure muitas batatas quentes. agora mesmo, para meu conhecimento coletivo, envia informações do pedro pedreiro – a saga de um povo, espetáculo vencedor do festival santista de teatro amador (FESTA) – 2003, nas seguintes categorias: melhor trilha sonora, melhor coreografia, melhor ator coadjuvante  e prêmio especial do juri pelo conjunto da obra. com direção de glauce teodoro, coreografia de jaykobs; o elenco é composto por: alce – bíades filho (de quem mesmo?), como pedro; lucimar aparecido, c0mo etelvina; guillherme fagundes, como waldemar; luís bonelli, como cantora; alexandre poli (epa!), como o profeta, e josenildo silva, como o delegado, dentre outros e outras. esse é o piauí que me interessa, o piauí vencedor… é, por essa e outras, que eu quero a tomada do herbert parentes fortes. quem mais se habilita? cartas para a kenard kaverna: http://www.krudu.blogspot.com/

kenard kruel - escritor, autor de torquato neto ou a carne seca é servida.

uma puta

•05/02/2009 • Deixe um comentário

 

 à atriz patrícia galvão – como forma de gratidão e admiração - por haver interpretado, uma puta de outra esquina, texto de alex moreira carvalho, sob minha direção. alcebíades filho – de quem, mesmo?

 

cabiria

 

uma puta

 

 

há, nessa hora,

aqui dentro e lá fora,

uma puta madrugada.

há uma puta na madrugada,

 lá fora somente,

 em ranger de dentes,

 frio e suor: sangue.

 

alcebíades filho, de quem mesmo?

 

cabiria5

 

nas fotos a atriz giulietta masina, como a prostituta cabíria, no filme noites de cabíria, de federico fellini.

a carne seca é ser-vida

•05/02/2009 • Deixe um comentário

aeu

alcebíades filho, de quem mesmo? foto: alcebíades filho.

 

 

“no tempo em que eu não era antropófago, isto é, no tempo em que eu não devorava livros – e livros não são homens, não contêm a substância, o próprio sangue do homem?”

murilo mendes

 

1alcebíades filho, de quem mesmo? foto: alcebíades filho.

 

 

eu, alcebíades filho – de quem mesmo? recomendo a leitura do livro torquato neto ou a carne seca é servida, de autoria do jornalista kenard kruel (presidente do sindicato dos escritores no piauí). à venda nas livrarias e bancas de jornais e revistas, de teresina (R$ 30 reais), pela internet (kenardkruel@yahoo.com.br - R$ 50 reais, com postagem – imposto dos PeTralhas) ou pelos fones (86) 3220 3282 – 99309770 ou 8817 1179.

eu, diretor

•05/02/2009 • Deixe um comentário

eudiretor

alcebíades filho. foto: luciano costta.

 

 

“eu, no máximo, um diretor impensado. simplesmente um dado. jogado sobre mim mesmo.”

alex m. carvalho